sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

CASTIGO OU ESCOLHA?


A grande maioria dos homens desconhece a si próprio.

Julga e culpa os demais, por tudo o que lhes acontece.

Nem Deus se livra dos vis julgamentos.

É comum os que são orgulhosos atribuírem à fatalidade e a Deus, as desditas que lhes sobrevêm na vida.

Mas, o mais certo seria se todos os que sofrem desgostos e dificuldades, vasculhassem os próprios atos.

Possivelmente encontrariam aí a causa das muitas desditas que os ferem.

Nem haveria necessidade de remontar a existências passadas para explicar o sofrimento atual.

* * *

Onofre contava com apenas dezessete anos, quando engravidou Marlene.

Quando soube que seria pai, simplesmente deixou a cidade para não voltar mais.

Dona Dora, sua mãe, que era doente e dependia de sua ajuda para sobreviver, ficou ao desamparo.

Passados alguns anos, ele pensou em construir seu lar. Casou-se, mas não teve a ventura de ser pai.

Onofre se fazia de vítima, culpava a companheira pela sua infelicidade.

Começou a beber, de desgosto, dizia.

Com o tempo deixou de voltar para o lar. Vivia na rua.

A esposa optou por mudar de cidade, dedicar-se a uma atividade profissional e cuidar da própria vida.

Vinte anos se passaram.

Recolhido a um asilo de idosos, Onofre, enfermo, continuava reclamando da sorte.

Deus não me ama. Deus me despreza.

E enumerava o que dizia serem as suas desgraças: Deus não lhe permitira ser pai. Se tivesse um filho, ele o atenderia na sua velhice e enfermidade.

Não tinha mãe, nem mulher, nem amigos com quem contar.

Estava abandonado e desprezado por todos.

O que estou passando é a pior fatalidade para um homem. – Dizia. - Deve ser castigo divino. Deus está me punindo por algo que fiz em uma outra vida. Devo ter errado muito num passado distante.

* * *

A nossa estadia na Terra é um sagrado presente que Deus nos concede, para crescermos em sabedoria e amor.

Por essa razão, a vida é uma grande escola, na qual somos matriculados ao nascer e onde todas as ocorrências que nos surgem são lições indispensáveis para nosso crescimento.

Portanto, se tudo na vida nos põe à frente de uma lição, de uma prova, ou de uma expiação, é preciso concluir que toda lição útil precisa ser experienciada devidamente, reprisada, até aprendermos.

Dessa forma, as provas servem para testificar se realmente assimilamos a lição.

A expiação representa a repetição da lição para correção da tarefa equivocada ou mal executada.

Como um aluno no colégio, se assimilamos o conteúdo do ano letivo, passamos para o ciclo seguinte.

Se não aprendemos, reprovamos.

Frente à vida, todo o compromisso que provocamos é responsabilidade nossa.

Todo abandono cometido, com aqueles que confiaram em nós, é débito espalhado.

Todo vício praticado é prejuízo que causamos a nós mesmos.

Toda vitimização que encenamos é atraso na caminhada.

Deus nos dá o livre-arbítrio para escolhermos o que desejamos.

Nossa consciência é quem nos ajuiza.

E, de nossas vidas, somos nós os construtores.

Por tudo isso, saibamos valorizar as oportunidades.

Redação do Momento Espírita

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Perdão e Vida



Perdão é requisito essencial no erguimento da libertação e da paz.

Habituamo-nos a pensar que Jesus nos teria impulsionado a desculpar “setenta vezes sete vezes” unicamente nos casos de ofensa à dignidade pessoal ou nas ocorrências do delito culposo, entretanto, o apelo do Evangelho nos alcança em áreas muito mais extensas da vida.

Se somarmos as inquietações e sofrimentos que infligimos a nós mesmos por não perdoarmos aos entes amados pelo fato de não serem eles as pessoas que imaginávamos ou desejávamos fossem, surpreenderemos conosco volumosa carga de ressentimento que nada mais é senão peso morto, a impelir-nos para o fogo inútil do desespero.

Isso ocorre em todas as posições da vida.

Esquecemo-nos de que nenhum ser existe imobilizado, que todos experimentamos alterações no curso do tempo e não relevamos facilmente os amigos que se modificam, sem refletir que também nós estamos a modificar-nos diante deles.

Casamento, companheirismo, equipe, agrupamento e sociedade são instituições nas quais é forçoso que o verbo amar seja conjugado todos os dias.

Na Terra, esposamos alguém e verificamos, muitas vezes, que esse alguém não é a criatura que aguardávamos; entregamo-nos a determinados amigos e observamos que não correspondem ao retrato espiritual que fazíamos deles; ou abraçamos parentes e colegas para a execução de certos empreendimentos e notamos, por fim, que não Se harmonizam Com Os nossos planos de trabalho e passamos a sofrer ela incapacidade de tolerar as condições e pelas realidades que lhes são próprias.

Reflitamos, no entanto, que os outros se alteram à nossa frente, quase sempre na medida em que nos alteramos para com eles.

Necessário compreender que se todos somos capazes de auxiliar a alguém, ninguém, pode mudar ninguém, através de atitudes compulsórias, porquanto cada criatura é uma criação original do Criador.

Aceitemos quantos convivam conosco, tais quais são, reconhecendo que para manter a bênção do amor, entre nós, não nos compete exigir a sublimação alheia e sim trabalhar incessantemente e quanto nos seja possível pela própria sublimação.

Livro: Indulgência - Emmanuel - Psicografia de Francisco Cândido Xavier

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Reencarnação


Sem a chave da reencarnação, a vida inteira reduzir-se-ia a escuro labirinto.
De existência a existência, no mundo, nossa individualidade imperecível sofre o desgaste da imperfeição, assim como o aprendiz, de curso a curso, na escola, perde o fardo da ignorância.
Compreendendo semelhante verdade, saibamos valorizar o tempo, no espaço terrestre, realizando integral aproveitamento da oportunidade que o Senhor nos concede, entre as criaturas, acumulando em nós as riquezas do Conhecimento Superior e os tesouros da sublimação pelo aprimoramento de nossas qualidades morais.
Lembremo-nos de que nunca iludiremos a vigilância da Lei.
Na Terra, a organização judiciária corrige tão somente os erros espetaculares, expressos nos crimes ou nos desregramentos que compelem os missionários da ordem a drásticas atitudes, segregando a delinqüência na penitenciária ou no hospital, derradeiros limites do desequilíbrio a que se acolhem os trânsfugas sociais.
Todavia, é imperioso reconhecer que todas as nossas falhas são registradas em nós mesmos, constrangendo a Justiça Eterna a providências de reajuste em nosso favor, no instituto universal da reencarnação, que dispõe de infinitos recursos para o trabalho regenerativo.
De mil modos, ilaqueamos no corpo físico a atenção dos juízes humanos, nos delitos ocultos, exercitando a perversidade com inteligência, oprimindo os outros mm suposta humildade, ferindo o próximo com virtudes fictícias, estragando o equipamento corpóreo sem qualquer consideração para com os empréstimos divinos e, sobretudo, explorando os irmãos de luta com manifesto abuso de nossos poderes intelectuais...
No entanto, por isso mesmo também, renascemos sob doloroso regime de sanções, dilacerados por nós mesmos, nas possibilidades que outrora desfrutávamos e que passam a sofrer frustrações aflitivas.
Moléstias do corpo e impedimentos do sangue, mutilações e defeitos, inquietações e deformidades, fobias complexas e deficiências inúmeras constituem pontos de corrigenda do nosso passado que hoje nos restauram à frente do futuro.
Cultivemos, desse modo, o coração nobre no vaso da consciência reta para que a planta de nossa vida se levante para o Hálito de Deus, porquanto basta a boa vontade na sementeira do amor que o Mestre nos legou para que a multidão de nossos débitos seja coberta e esquecida pela Divina Misericórdia, possibilitando o soerguimento de nosso espírito, até agora arrojado ao lodo de velhos compromissos com a sombra, na subida vitoriosa para a Luz Imortal.
Livro: Indulgência - Emmanuel - Psicografia de Francisco Cândido Xavier.